mardi 3 mai 2016

Famintos sim, matumbos não

Folha 8

O MPLA resolveu, mais uma vez, vestir a pela de cordeiro e vir a público dizer que está preocupado com os seus escravos. A estratégia é antiga mas, mesmo assim, apanha na sempre na os mais ingénuos.

Assim, hoje, o MPLA reconheceu (é preciso ter uma lata descomunal) que as comemorações do dia do Trabalhador no país acontecem este ano num momento “particularmente difícil, do ponto de vista económico e social”.


É assim há 40 anos. Também é assim a repetição até à exaustão da tese: olhai para o que dizemos e não para que fazemos. Ou seja, estão apenas preocupados com os poucos que têm milhões, relegando para as calendas os milhões que têm pouco… ou nada.

A posição surge na nota oficial do partido no poder em Angola desde 1975, a propósito do 1.º de Maio, admitindo que a queda do preço do petróleo no mercado internacional tem provocado “constrangimentos” na vida dos trabalhadores angolanos.

“Com o objectivo de atenuar tais constrangimentos, o MPLA encoraja o Executivo angolano a implementar, com rigor, as medidas que visam a diversificação da economia, aumentando significativamente a produção nacional e as fontes de receitas, para que Angola possa ver reduzido o peso do petróleo no seu Produto Interno Bruto”, lê-se numa nota enviada à comunicação social e, é claro, destinada a ser publicada sem mais comentários.

No caso do Folha 8 bateram à porta errada porque, como acontece desde a nossa fundação, em 1995, recusamos ser meros amplificadores das teses oficiais. Temos opinião. 

Pensamos pela nossa cabeça. Não fomos formatados (embora não parem de tentar) pelo regime e recusamo-nos a frequentar as aulas de educação patriótica “made in MPLA”.

O partido, liderado por José Eduardo dos Santos, que é também Presidente de Angola (nunca nominalmente eleito) e Titular do Poder Executivo desde 1979, advoga a necessidade de o Governo dar “respostas claras às necessidades das populações”, nomeadamente “aumentando o investimento público e estimulando o investimento privado nos sectores que geram mais empregos e destinando mais recursos para a agricultura familiar”.

O MPLA parece ter agora descoberto a pólvora. Mas ela foi inventada há muito tempo. A diversificação da economia, a aposta na agricultura – por exemplo – é defendida por nós (entre muitos outros) há dezenas de anos.

Nesta altura, no reino de sua majestade o rei de Angola, José Eduardo dos Santos, existem mais de dois milhões de angolanos em idade activa sem emprego, o que equivale a uma taxa de desemprego superior a 25%.


Angola enfrenta actualmente uma crise financeira e económica decorrente da quebra da cotação do barril de crude no mercado internacional, que só em 2015 fez diminuir para metade as receitas petrolíferas do país, com efeitos em toda a economia e a destruição, segundo os sindicatos, de milhares de empregos em sectores como dos petróleos e da construção.

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