mardi 16 septembre 2014

BNA pede substituição de Sobrinho no Banco Valor


11-09-2014 | Fonte: SEMANARIO ECONÓMICO


Fonte contactada pelo Semanário Económico referiu que, para o BNA, não faz diferença se a substituição que solicitou for feita por uma assembleia de accionistas

 Pouco mais de dois anos depois de ter deixado a presidência do Banco Espírito Santo Angola (BESA),  Álvaro Sobrinho poderá abandonar a presidência do Banco Valor que ocupa há pouco mais de um ano, após se ter tornado o seu accionista maioritário.

 A  eminente saída da presidência  do Banco Valor relaciona-se com diligências que o Banco Nacional  de Angola iniciou há algum tempo e que, segundo fontes próximas do processo, estão ligadas à passagem de Álvaro Sobrinho pelo BESA, do qual foi presidente da Comissão Executiva entre 2000 e 2012.

 Detido em 55,7%  pelo Banco Espírito Santo (BES) baseado em Lisboa, e em 44.3%  por vários accionistas angolanos, o BESA foi objecto de uma intervenção do Banco Nacional de Angola (BNA) quando se tornou evidente que apresentava um endividamento estimado em mais de cinco mil milhões de dólares contraído durante a presidência de Álvaro Sobrinho.

 Antes da intervenção do BNA, o Governo de Angola tinha emitido uma garantia soberana de pouco mais de quatro mil milhões de dólares a favor do BES, que veio a ser revogada quando este banco entrou em colapso. Acto contínuo, uma auditoria às contas do BESA revelou uma situação de crédito mal parado, de proporções elevadíssimas.

 Na semana passada, o semanário Expansão revelou que a KPMG se tinha recusado a validar as contas do BES, "nomeadamente devido ao saneamento decidido no BESA".

 A KPMG, segundo escreve o Expansão, sugeria igualmente que perante a falta de "reforço" a ser subscrito pelos actuais accionistas, há a possibilidade do Estado “vir a substituir aos mesmos".

 Fonte próxima deste processo disse ao Semanário  Económico que em resultado de uma assembleia de accionistas realizada 
recentemente, a quota detida por Álvaro Sobrinho naquele banco, baixou de cinco para dois por cento, tendo em conta que não participou na referida reunião.

 Além de solicitar a indicação de um outro presidente para o Conselho de Administração, o BNA também requereu ao Banco Valor a substituição dos administradores João Moita e Lígia Madaleno. Provenientes do BESA, ambos têm assento, tanto no Conselho de Administração, como na Comissão Executiva onde, segundo informação disponível na página do banco na Internet, ocupam  respectivamente os lugares de "CFO"( Chief Finance Officer) e  de CCO, (Chief Commercial Officer).

O Conselho  de Administração é presidido por Álvaro Sobrinho, enquanto que a  Comissão Executiva tem à frente, Rui Miguêns, antigo vice-governador do BNA e accionista maioritário do banco, até à entrada de Álvaro Sobrinho.

 Segundo alguns observadores, o processo agora em curso, está de acordo com a atitude que o BNA tomou desde que o Banco Valor registou uma alteração no seu modelo de governação. " Não tendo nunca reconhecido o modelo que nasceu   após o aumento de capital, o BNA remeteu todo o seu expediente para  Rui Miguêns e nunca para Álvaro Sobrinho. O que se assiste hoje é apenas o epílogo".

Fonte contactada pelo Semanário Económico referiu que, para o BNA, não faz diferença se a substituição que solicitou for feita por uma assembleia de accionistas." O que interessa ao BNA é que ela ocorra dentro dos prazos e tanto quanto sabemos este prazo está à beira de vencer", afirmou.

Álvaro Sobrinho assumiu a presidência do Banco Valor em Julho do ano passado, num processo que incluiu uma operação de aumento de capital.

À data da sua entrada no Valor, este era citado tendo um activo de 73.2 milhões de dólares, detendo Rui Miguêns nessa altura, 20% do seu capital.

O relatório e contas de 2013 alude a um aumento dos activos “em 116%”,  passando de 7,105 milhões de kwanzas, para 15,120  milhões de kwanzas.  "Deste aumento destaca-se o aumento de crédito que duplicou passando de 2,107 mil milhões de kwanzas, e do imobilizado que passou de 1,222 milhões de kwanzas para 4,040 milhões de kwanzas". O relatório diz igualmente que os novos créditos concedidos durante o exercício de 2013 "são fundamentalmente  créditos à habitação e a empresas corporativas consideradas de risco reduzido".

Segundo o mesmo documento, durante o exercício de 2013 foram adquiridas obrigações do Tesouro do Estado Angolano, a médio/longo prazo. Este investimento demonstra o interesse do banco em colaborar com o esforço do Estado angolano no desenvolvimento do país, optimizando igualmente a rentabilização da liquidez disponível."

No relatório, lê-se que “o aumento do activo foi acompanhado de um aumento do passivo em 80 por cento, que passou de 6,267 milhões de kwanzas em 31 de Dezembro de 2012, para 11,259 milhões de kwanzas em 31 de Dezembro de 2013. Este aumento é fundamentalmente justificado por um aumento dos depósitos de clientes de 3,782 milhões de kwanzas durante o ano de 2013 e evidencia que o banco está a atingir outros dos seus principais objectivos: captar mais clientes".

O levantamento anual das contas diz também que " a estrutura de depósitos manteve-se idêntica a 2012, com as empresas a terem predominância, representando 73 por cento do tirar de depósitos no final de 2013. O aumento dos depósitos verificou-se fundamentalmente nos depósitos a prazo o que demonstra a preocupação do banco na gestão de liquidez".

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