lundi 12 septembre 2016

SOBA DO MPLA ESPANCA FISCAL DA UNITA

10 de Setembro de 2016

ANGOLA. “O soba Ngana Mussanga, do MPLA, veio, com 20 jovens armados com paus. Deu-me chapadas na cara, enquanto os jovens me agarravam. Atiraram-me ao chão, apertaram-me nas mãos e nos pés, para não me soltar e o soba começou a espancar-me com uma moca na cabeça”, revela Pedro Muiungulenu Zambicuari.

O incidente ocorreu a 8 de Setembro, na comuna do Luremo, município do Cuango, na província da Lunda-Norte, tendo como vítima o representante da UNITA que fiscalizava o registo eleitoral naquela localidade.


Este é o primeiro incidente que vem a público sobre a violência contra membros da oposição durante o processo de registo eleitoral. As próximas eleições estão previstas para o próximo ano.

Os partidos da oposição – UNITA, CASA-CE e PRS – suspenderam, ontem, a fiscalização do registo eleitoral no Luremo, em protesto contra os actos de intimidação e violência contra os seus membros.

O representante da UNITA, Pedro Muiungulenu Zambicuari, narra o sucedido.

“Às 8h30, antes de iniciar o registo, o soba Ngana Mussanga veio ter comigo. Perguntou-me quem eu era e de onde vinha. Respondi-lhe que sou cidadão angolano”, explica.
“O soba disse-me, então, que o MPLA não queria nenhuma oposição aqui [no Luremo]. Avisou-me: ‘arruma as tuas trouxas e vai-te embora’. Respondi-lhe que eu estava ali para fiscalizar o registo e não para fazer política. Deu-me as costas e foi-se embora”, continua.

Imediatamente, o membro da UNITA informou a Brigada Móvel de Registo Eleitoral, alojada na administração comunal, que o encaminhou à administradora comunal, Maria Tungo, entretanto ocupada para o receber.

“O chefe da secretaria da administração communal [Kubindama] disse-me que eu não tinha nada que fiscalizar o registo mas, se quisesse, podia ir fiscalizar a direcção da UNITA. E era melhor sair já do Luremo”, explica Zambicuari.
Acto contínuo, por volta das 16h00, o mesmo Kubindama dirigiu-se à brigada móvel para dar o ultimato a Pedro Zambicuari, diante dos seus colegas, que deveria abandonar imediatamente o Luremo ou enfrentar as consequências.
Uma hora depois, o soba dirigiu-se à residência, onde deveria pernoitar, e foi agredido pelo próprio soba, como acima reportado.

“O soba não me disse mais nada. Viu-me, agarrou-me e começou logo a bater-me”, conta.

Refere que, a dado momento, conseguiu espernear até se soltar e pôs-se em fuga, tendo sido perseguido à pedrada e com mocas.

Procurou refúgio no comando local da Polícia Nacional. “Informei o caso ao segundo comandante Joaquim e o soba também apareceu diante dessa autoridade. Disse-me diretamente que estava ali para me matar”, diz.

“O comandante pediu ao soba para se sentar e disse-lhe que não podia fazer confusão na esquadra. Mas o soba continuou a gritar contra o comandante, a dizer que me mataria de qualquer forma”, revela o representante da UNITA.

Membros do Partido de Renovação Social (PRS) acorreram à unidade para socorrer o seu colega da oposição e evacuaram-no para Cafunfo. Um outro oficial da Polícia Nacional aconselhou, no momento, o comandante a entregar o militante da UNITA aos cuidados do PRS. Segundo testemunho da vítima, o referido oficial disse ao comandante “que a polícia não tinha meios para impedir que me matassem ali mesmo caso continuasse no local.”

Ontem, os partidos da oposição reuniram com a administradora do Cuango, Angélica Kaumba Sassão, a pedido desta, para abordar o incidente e o processo de registo eleitoral naquela localidade.

“A administradora chamou-nos para dizer que a agressão contra o nosso colega era normal e que não devíamos fazer barulho por causa disso”, refere Justino Pedro, secretário-adjunto do PRS no Cuango, que esteve presente no encontro.

“Eu perguntei à administradora Angélica: e se o homem da UNITA tivesse sido morto? Ela respondeu que nós podemos fazer queixa onde quisermos e nada acontecerá. Foi a resposta dela”, acrescenta Justino Pedro.

Por causa dessa atitude, refere o interlocutor, os partidos da oposição acharam por bem suspender a sua participação, por razões de segurança.

Maka Angola tentou o contacto com a administradora municipal sem sucesso. Não foi possível contactar o soba Ngana Mussanga ou a administração do Luremo por dificuldades de comunicação.


Pedro Muiungulenu Zambicuari queixa-se de fortes dores de cabeça e nas costas por causa da agressão violenta de que foi alvo e recebeu um cocktail de quatro injecções para aliviar as dores.

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