mercredi 12 août 2015

Amnistia, o trunfo do Presidente

Eduardo dos Santos prepara anúncio de amnistia dos jovens acusados de tentativa de golpe de Estado. Chegará para acalmar o ambiente político muito tenso?

De regresso antecipado por causa da contestação política, o Presidente Eduardo dos Santos prepara o ás de trunfo: decretar, dentro de três meses, pelo 40º aniversário da independência, uma amnistia geral.


Os 15 jovens detidos em várias cadeias de Luanda, Viana e Calomboloca, acusados de envolvimento num alegado golpe de Estado, poderão ter perdão presidencial caso sejam julgados antes de 11 de Novembro. Eduardo dos Santos, espera, assim dissipar a pressão. Na esteira da amnistia, estará o reconhecimento, por círculos moderados do MPLA, de que a justiça angolana terá dado "um tiro no pé", com esta prisão de "filhos do regime".

Familiares prometem hoje (sábado), na Praça da Independência, nova manifestação. As autoridades deram o dito por não dito e proibiram-na. "Estão perdidos!" - disse ao Expresso o jornalista Graça Campos. Naquela praça, dentro de uma semana, intelectuais e representantes da sociedade civil vão declamar poemas revolucionários, em protesto contra a degradação das liberdades. "Se quiserem prendam-nos" - disse o jornalista.

Uma parte do país quer falar mas outra parece não querer ouvir. Uma manda mas começa haver outra que não quer ser mandada, num braço de ferro de contornos perigosos. Tão perigosos que o ministro da Relações Esteriores, George Chocoky, comparou a acção dos jovens à da ETA... "Tolice! Estou certo que o Presidente vai serenar os ânimos nas hostes descontroladas do regime" - disse ao Expresso o sociólogo Fernando Diogo.

Na Assembleia da República, a recusa do MPLA da transmissão em directo das sessões, está a incendiar os debates. Segundo alguns analistas, Eduardo dos Santos não parece ter outra estratégia senão apostar no realinhamento de um barco à deriva. Enquanto esperam por novos sinais do tempo, os cidadãos começam a perder o medo. Mas não os políticos e governantes, pelo menos das escutas telefónicas. Alguns tentam, a qualquer custo, pôr dinheiro no estrangeiro para garantir a sobrevivência. Angola, panela de pressão? "Se não houver cuidado, a qualquer momento, essa panela pode explodir. Só não vê nem não quer..." - diz Jacques dos Santos, escritor e antigo deputado do MPLA.

Gustavo Costa

Correspondente do Expresso em Luanda


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