mardi 3 novembre 2015

O XII CONGRESSO DA UNITA

Maurílio Luiele 
Médico
Maurilio Luiele

A UNITA apresta-se a realizar em Dezembro próximo o seu XII Congresso, o quarto desde que teve fim o conflito armado em Angola.

Saída dos escombros do fim da guerra, a UNITA teve que enfrentar a duras penas o desafio da sua conversão de movimento político- militar em partido político “de jure” e “de facto”, despir-se do carácter de Estado que o enformava e participar em plenitude do jogo político, tudo isso numa arena política completamente revestida de armadilhas.


Um simples olhar por este sinuoso percurso, mesmo a vista desarmada, conduz inequivocamente à conclusão de que o Partido tem passado com distinção por este “teste de estresse”. Contornando obstáculo após obstáculo, removendo pedra sobre pedra, posiciona-se hoje como a força política efectivamente capaz de se constituir em alternativa à força política hegemónica hoje em Angola, o MPLA, e por isso em condições de promover a ansiada e desejada alternância da qual depende a remoção das inúmeras teias que aprisionam hoje o Estado Democrático e de Direito. O presságio do fim da UNITA não só não se concretizou, como, pelo contrário, a revitalização da UNITA tem sido revelada todos os dias apesar dos colossais obstáculos colocados no seu percurso, o que tem deixado em desespero os profetas do apocalipse.

O XII Congresso é assim uma oportunidade de ouro para fazer um balanço sereno, pensado e reflectido dessa experiência, analisar ganhos e perdas e desenhar a melhor estrutura do partido para os desafios vindouros. É também uma instância apropriada para a definição da melhor estratégia para as disputas eleitorais que se aproximam  levando sempre em consideração que num contexto como o nosso, qualquer estratégia eleitoral só faz sentido se associar potentes ferramentas e mecanismos de pressão por eleições verdadeiramente livres, justas e transparentes em Angola.

A questão da liderança volta a ser discutida, como sempre, através de um processo eleitoral que se pretende isento e irrepreensível.

A eleição do Presidente tem sido feita desde o IX Congresso, em 2003, através de um processo aberto e plural (múltiplas candidaturas). O que está verdadeiramente em causa é a escolha da figura que melhor corporiza o ideal que a UNITA defende, que reúne capacidades de liderança inquestionáveis, conciliando pela capacidade de ouvir e através do diálogo franco as diferentes sensibilidades que compõem o Partido.

Tendo trocado ideias com diferentes sectores do Partido e externos a ele, sou de opinião que o ciclo político virtuoso de Isaías Samakuva ainda não se encerrou, significando ser esta a figura melhor talhada para conduzir o Partido para os desafios imediatos entre os quais se incluem as eleições gerais previstas para 2017. Tendo conduzido todo o processo  de reconstrução e conversão da UNITA em partido político civil de facto, tem, com o seu carácter eminentemente conciliador, galvanizado os militantes para a defesa da causa da UNITA. Tem enfatizado a necessidade de se olhar para a UNITA além das suas fronteiras partidárias de modo a que a UNITA possa efectivamente representar o estuário de todas as forças vivas da sociedade rumo a mudança.


As suas múltiplas digressões pelo interior do país têm revelado que ele é, no momento, o principal agente mobilizador da UNITA, demonstrando profunda empatia com extensos extractos populares por compreender as angústias e os anseios mais profundos do povo.

Diplomata por vocação, tem se batido com denodo para restituir a imagem da UNITA no contexto internacional havendo hoje uma maior permeabilidade á compreensão das razões pelas quais a UNITA afincadamente se bate e que continuam absolutamente válidas.

Uma vez que os estatutos da UNITA não impõem limite no número de mandatos, o que é comum em muitos partidos democratas mundo afora, uma candidatura de Samakuva a sua própria sucessão no XII Congresso seria não só viável como até desejável. Isso não significa, de modo algum, impedir que outras candidaturas se afirmem. A UNITA tem de resto muitos militantes capazes de a liderar e as candidaturas múltiplas apenas fortalecem e legitimam ainda mais o eventual vencedor para o exercício do mandato; considero apenas que pelas razões acima evocadas, os ventos estão mais favoráveis para uma potencial candidatura de Isaías Samakuva. Como é evidente só o Congresso é soberano e com legitimidade para atestar ou não esta minha asserção.

O Congresso, entretanto, não se esgota na eleição do Presidente. É uma oportunidade singular para se discutir e aflorar aspectos vários da vida interna do Partido e do país em geral, redesenhar caminhos, validar o que deu certo e refutar o que deu errado até aqui, perspectivar uma abertura maior do Partido à sociedade e deve, portanto, ser organizado de modo a propiciar o mais amplo debate sobre estas questões.

Só assim se poderá fazer da UNITA uma verdadeira plataforma capaz concretizar o sonho da MUDANÇA que é condição sine qua non para libertar o país das garras do autoritarismo e repor sobre os carris o processo democratic em Angola, resgatando os valores do Estado Democrático e de Direito ultimamente tão vilipendiados.


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