jeudi 5 février 2015

Milhares de cidadãos atirados ao relento no Bengo

Mais de 4 mil pessoas ficaram sem abrigo desde o passado dia 3 de Dezembro de 2014, quando suas modestas residências, que alguém também chamou de casebres, foram deitadas abaixo por máquinas demolidoras numa operação que teve intervenção conjunta da polícia nacional e das FAA.


A operação, alegadamente desenvolvida sob orientação do Senhor Tingão, Administrador do Projecto residencial do Panguila adstrito ao município do Dande/Caxito, sede capital da província do Bengo ocorreu no bairro Amor, uma pacata povoação que cresceu vertiginosamente nos últimos quatro anos.

Os populares apontam o dedo à uma senhora, criadora de gado na região conhecida por Joia que, supostamente para proteger aquele espaço para pastorícia, terá influenciado aquele Administrador do Projecto no sentido de desalojar os populares aos quais acusa de ocupação ilegal de terras.

No entanto, o pastor evangélico Mateus João, morador do bairro, que fora surpreendido pelas máquinas por volta das 8 horas da manhã quando preparava o culto com seus fiéis, defende que a população devia pelo menos ser avisada, uma vez que Administrador do Projecto visitara aquele aglomerado no passado dia 28 de Novembro, tendo garantido na ocasião que não ocorreriam demolições naquela localidade, depois de questionado sobre o assunto que, segundo os populares, já se ouvia a boca pequena.
Júlio Félix, professor e activista cívico criticou a postura das autoridades uma vez que os populares, se por ocupação ilegal ou não, vivem naquela localidade por mais de 4 anos e, segundo ainda o nosso interlocutor, as autoridades por meio dos seus fiscais deviam em primeiro lugar evitar a suposta ocupação ilegal se esse for o caso, de modos a se acautelar que os cidadãos sejam desumanamente desalojados depois de instalados durante vários anos.

 Para aquele docente, é tarefa exclusiva do governo criar condições de habitação condigna para os cidadãos, aliás, o actual executivo prometeu há já algum tempo construir 1 milhão de casas, onde andam as prometidas casas?, questionou Júlio Félix.

A nossa reportagem tentou sem sucesso contactar o citado mandante das demolições, no caso o Senhor Tingão que tinha as suas instalações encerradas ao que supomos ter fugido da fúria de mais de quatro centenas de populares que se reuniram na sexta-feira 5 de Dezembro defronte à Administração do Projecto ou, como foi o caso de quase todo o país, terá ido participar ao congresso extraordinário do seu partido.


Por: Mário Nzogi

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