dimanche 4 janvier 2015

Angola tem de evitar construir `elefantes brancos` - Economist



Lusa 29 Dez, 2014

A Economist Intelligence Unit considera que a descida nos preços do petróleo funciona como incentivo à diversificação da economia de Angola, mas alerta que é preciso evitar a realização de obras megalómanas que sejam `elefantes brancos`.


"Vai ser necessário evitar projetos de prestígio, economicamente inviáveis (ou `elefantes brancos`) e garantir a viabilidade a longo prazo dos projetos de investimento", escrevem os analistas da EIU, a unidade de análise económica da revista britânica The Economist, que tem assumido uma postura bastante crítica sobre a falta de reformas institucionais e relativamente aos constrangimentos ao ambiente propício aos negócios e aos investimentos em Angola.
Neste breve relatório em que é analisada a influência de descida dos preços do petróleo no objetivo de diversificação económica de Angola, a que a Lusa teve acesso, a EIU escreve que "os preços baixos do petróleo estão a colocar cada vez mais pressão na economia de Angola, tornando a meta de crescimento do Governo, de 9,7% para 2015, ainda mais desafiante".
Por outro lado, sublinha que, ainda assim, "há bolsas de desenvolvimento na economia não petrolífera, incluindo a manufatura, que representa menos de 10% do PIB mas deverá expandir-se rapidamente".
No texto, refere-se que a nova pauta aduaneira, que entrou em vigor este ano, teve como efeito o estabelecimento de várias fábricas, principalmente com o objetivo de evitar as importações - que ficaram, no geral, mais caras -, mas pode levar também a acelerar a adesão à zona de comércio livre na Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC, no original em inglês).
"Há muitas reservas sobre o sistema aduaneiro, altamente protecionista, porque mina a competitividade e contribui para preços internos elevados; em parte por causa disso, o Governo tem repetidamente adiado a sua entrada na zona de comércio livre na SADC, por medo de ser invadido com bens importados mais baratos de outros países como a África do Sul", lê-se na nota aos investidores.

O aumento da produção nacional, por via da subida de novas fábricas, "pode levar as autoridades a reconsiderarem a sua posição na SADC", conclui a EIU, enfatizando que "se Angola conseguir melhorar o fornecimento de eletricidade e cortar na burocracia, estaria numa forte posição para desenvolver as exportações regionais, incluindo através das três novas linhas ferroviárias que ligam grandes centros de produção aos portos atlânticos de Luanda, Lobito e Namibe, e às fronteiras com a República Democrática do Congo, Zâmbia e Namíbia".

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