jeudi 11 juin 2015

Movimentos das Lundas reagem com surpresa a acusações de um general

[Fonte: VOZ DA AMÉRICA, 02JUN2015, Online;

O chefe do Estado-Maior General Adjunto para a Educação Patriótica das Forças
Armadas Angolanas (FAA), general Egídio de Sousa Santos, acusou os movimentos
que lutam pela autonomia das Lundas, em Angola, de serem geridos por "interesses
económicos" e de actuarem como o líder da seita A Luz do Mundo, José Julino

Kalupeteka.


"Os autores desta iniciativa sabem que têm nacionalidade e têm nome", disse o
general ao falar às tropas numa recente visita à Lunda Sul. "Por causa da ganância
querem chamar-se independentistas e criar desestabilização como criou Kalupeteca
na regiao sul", reiterou.
Na sua intervenção, o general Egídio de Sousa Santos apelou ainda às populações
para se manterem vigilantes para o bem da paz e da tranquilidade pública. "Temos
que nos manter vigilantes porque somos os baluartes da paz", concluiu.
O líder de um dos grupos que luta pela autonomia da região, Jota Filipe Malakito, da
Comissão do Manifesto Jurídico Sociológico do Protectorado da Lunda Tchokwe,
disse que o general tinha sido infeliz. "O senhor general foi infeliz e está a agir à
margem da Constituição, e não pode comparar o Manifesto com o Kalupeteca para
poderem matar", afirmou.
Por seu turno, José Mateus Zecamutchima, do Movimento do Protectorado Lunda
Tchokwe, descreveu as declarações de "muito graves e perigosas". Para
Zecamutchima, estas declarações podem ser "o prenúncio de um plano do Governo e
das Forças Armadas" para criarem "um plano para massacrar o povo da Lunda
Tchokwe e depois imputarem a culpa no movimento do protectorado". "O processo
de reivindicação nas Lundas é um processo civil, é um processo político e não
militar", disse Zecamutchima, para quem o general demonstrou "não estar
informado" ao dizer que há interesses económicos por detrás do movimento. "Não há
mão escondida", garantiu Zecamutchima. 

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