mercredi 24 juin 2015

Rumores sobre preparativos de "Golpe de Estado" dão lugar a detenções em Luanda


De acordo com o Club-K, o Serviço de Inteligência e Segurança de Estado (SINSE) informou recentemente a Casa de Segurança do Presidente da República sobre um
suposto "golpe de Estado", em Luanda, visando destituir o Presidente José Eduardo dos Santos.

O SINSE solicitou "autorização superior" para que, numa operação conjunta com o Serviço de Investigação Criminal (SIC), realizassem, este fim-de-semana, operações
que resultaram na detenção de cerca de 16 cidadãos que estariam comprometidos com o suposto "golpe de Estado", i.e., jovens activistas identificados por realizarem
protestos contra abusos de direitos humanos, em Luanda.
Luaty Beirao, músico e activista, terá sido detido em sua casa, em Luanda, e confiscado também o seu computador e telefone, e levado por três agentes do SINSE e oito agentes da Polícia de Investigação Nacional.


Outros jovens como Nito Alves, Nelson Dibango, Mbanza Hanza, Nicolas de Carvalho, Albano Bingo e Nelson Dibango foram também detidos nas suas residências e os seus computadores confiscados.

O SINSE apresentou como prova dos preparativos do suposto "golpe de Estado", material de uma palestra que os jovens iriam realizar em 20JUN15, no bairro Nelito
Soares, município do Rangel, subordinada ao tema "filosofia ideológica da revolução pacifica vs como derrubar um ditador". A palestra, que fora antecedida por outras,
tinha como orador o académico e jornalista, Domingos da Cruz, que foi igualmente preso em 21JUN15, no interior do país.

Sedrick de Carvalho, um jornalista que fazia cobertura da palestra acabou também detido pela polícia de investigação.
No total, foram presos dois grupos: um que se preparava para assistir à palestra; e outro integrado por Luaty Beirão, Manuel Nito Alvés e Nelso dos Santos que foram
detidos nas suas residências sem que estivessem envolvidos com a realização da palestra.

A seguir às detenções, o director-geral do Serviço de Investigação Criminal (SIC), Eugénio Pedro Alexandre, emitiu um comunicado justificando que os referidos
cidadãos foram presos porque "se preparavam para realizar actos tendentes a alterar a ordem e a segurança pública do país", acrescentando que "durante a operação foram
aprendidas uma série de provas".

Segundo informações obtidas pelo Club-K, as autoridades policiais deverão apresentar nos próximos dias os fascículos e livros sobre derrube de ditadores que serviriam de material de apoio da palestra como prova dos preparativos do suposto "golpe de Estado" e ainda deverão ocorrer mais detenções de activistas em Luanda.

Uma corrente interna do SINSE suspeita que as detenções ocorridas em Luanda e a tese do suposto "golpe de Estado" fazem parte de uma estratégia de alguns dos seus
superiores para obtenção de dividendos económicos pessoais, uma vez que tem noção que o Presidente José Eduardo dos Santos é bastante sensível ao tema de
"golpe de Estado".

As suspeitas baseiam-se no rumor, que circula há cerca de quatro anos, de que os chefes da segurança de Estado teriam "ficado" com 3 milhões de dólares – solicitados
ao Presidente da República – para abortagem de uma suposta incursão da UNITA.

O SINSE teria informado o Presidente da República que o líder da UNITA, Isaías Samakuva, iria sair com uma caravana de militantes, a partir do Município do
Cacuaco rumo ao interior, a fim de criar acções de instabilidade no país. Para o efeito, o SINSE solicitou ao PR, a disponibilidade de verbas – cerca de 3 milhões de
dólares – para travar Isaías Samakuva e os seus militantes.
Para convencer o Presidente, o SINSE teria que enviar à Presidência relatórios dos chefes de secções municipais da segurança confirmando os supostos planos do grupo
de Isaías Samakuva.

Na altura, o caso gerou controvérsia interna no aparelho de segurança, uma vez que o responsável do SINSE no município do Cacuaco recusou assinar o relatório, alegando
que a sua área de acção estava controlada e que não havia movimentações de homens da UNITA.

A Presidência da República acabou, todavia, por disponibilizar as verbas que acabaram por ser repartidas pelos directores da segurança de Estado que haviam
enganado o Presidente com a falsa informação sobre os planos de Samakuva, adianta o Club-K.

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