dimanche 13 mars 2016

Anúncio de Eduardo dos Santos pode apressar saída, afirma Rafael Marques

 11 março 2016 


Lisboa - O ativista angolano Rafael Marques afirmou hoje que o anúncio do Presidente de Angola de que sairá da política em 2018 poderá "inadvertidamente apressar" a sua sucessão.

"Ao atirar para o ar esta hipótese, ele está a criar condições para, mesmo dentro da massa militante do MPLA [Movimento Popular para a Libertação de Angola, no poder], começar a haver empurrões para a sua sucessão. (...) Vai inadvertidamente apressar a sua saída", disse Rafael Marques em declarações à Lusa.

Presidente do MPLA e chefe de Estado angolano há 36 anos, José Eduardo dos Santos anunciou hoje que deixa a vida política ativa em 2018, ano em que completará 76 anos.
O anúncio foi feito em Luanda na abertura da 11.ª reunião ordinária do Comité Central do MPLA, convocada por José Eduardo dos Santos para preparar o congresso do partido, agendado para agosto e que servirá para preparar as candidaturas às eleições gerais de 2017 em Angola.

"Em 2012, em eleições gerais, fui eleito Presidente da República e empossado para cumprir um mandato que nos termos da Constituição da República termina em 2017. Assim, eu tomei a decisão de deixar a vida política ativa em 2018", anunciou José Eduardo dos Santos.

Numa reação a este anúncio, o ativista Rafael Marques afirmou que, por não ter anunciado planos concretos, o Presidente "vai criar uma situação de grande pressão".
"Temos eleições em 2017. Esperava-se que, fazendo um anúncio desta natureza, o Presidente apresentasse um plano, se vai sair antes das eleições. Se a intenção é reformar-se, não pode voltar a candidatar-se às presidenciais", disse.

O ativista considerou ainda "muito estranho" que o Presidente faça um anúncio destes "sem avançar com um plano de transição".

"Vai deixar o filho? Vai deixar o [vice-presidente] Manuel Vicente? Vai abrir o MPLA ao processo democrático?", questionou, sublinhando que atualmente não há indicações de que haverá mais candidatos à presidência do partido no poder.

Isso, exemplificou, "seria o sinal de que o Presidente estaria mesmo a tomar medidas para se ir embora".

Para Rafael Marques, o presidente "não tem intenção" de sair de facto da vida política e este anúncio "serve apenas para descomprimir a atual crise económica e social".

"Procura ganhar espaço ao fazer este anúncio, para que as pessoas, durante algum tempo, procurem ser menos críticas porque ele até já anunciou que não vai continuar no poder. É uma forma de não prestar contas", disse.


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