dimanche 13 mars 2016

Polémica sobre relações entre Portugal e Angola


6/4/14

Portugal e Angola no Le Monde

“Os recursos de Angola semeiam a confusão em Portugal” é o titulo do trabalho da jornalista Claire Gatinois.

O artigo do jornal francês Le Monde, onde são debatidas as relações entre Portugal e Angola, Guiné Equatorial e Moçambique, chega depois da Cimeira entre a União Europeia e os países do continente africano, criticando fortemente os dirigentes portugueses, por fazerem negócio sem qualquer filtro, bastando apenas que para isso exista dinheiro, mas também os líderes africanos, por corrupção, lavagem de dinheiro e, sobretudo, por ignorarem os Direitos Humanos.


Publicado na edição da última quarta-feira, o trabalho é assinado pela jornalista Claire Gatinois, enviada especial em Lisboa. Na peça sob o título  “Os recursos de Angola semeiam a confusão em Portugal”, a jornalista afirma que “Portugal já pesou os ganhos que representam as suas ex-colónias para a sua economia, desgastada pela crise e pela austeridade”, acrescentando: “mesmo que às vezes isso choque os defensores dos Direitos Humanos”.

Claires Gatinois apresenta ainda a estrutura do périplo do primeiro-ministro português Pedro Passos Coelho em território africano, lembrando os acordos celebrados com Moçambique e com a Guiné Equatorial, futura parceira de Portugal na CPLP. Sobre a Guiné Equatorial refere ainda que, apesar de Teodor Obiang ser um dos chefes de Estado mais ricos de África, no país, uma em cada dez crianças morre antes dos cinco anos (dado da Unicef). A investigação francesa a que está a ser sujeito um dos filhos de Obiang, por suspeita de “lavagem de dinheiro”, também é apresentada no trabalho. Relembrando ainda que o Governo da Guiné Equatorial assinou um acordo para comprar uma participação no Banif, banco português nacionalizado”.

Sobre as relações com Angola, apontado enquanto “um dos países mais corruptos do Mundo, segundo a Transparência Internacional”, a jornalista francesa considera que Portugal “escancara os braços”, citando por várias vezes Celso Filipe, o jornalista português autor de um livro de investigação sobre o poder financeiro de Angola em Portugal.

Fala de dos investimentos de Luanda em mais de 20 empresas portuguesas, algumas cotadas na Bolsa, no sector dos Recursos, Banca, Imprensa e Agroalimentar. As empresas Galp, Banco Bic, BCP, BPI, Unitel, Cofina, Impresa ou a Cofaco, são alguns do exemplos apresentados no artigo do Le Monde.

A peça jornalística aponta enquanto grandes investidores nacionais Isabel dos Santos, Manuel Vicente, o general Kopelika, Manuel Hélder Vieira Dias, e preconiza para breve a entrada em cena de outro filho de Eduardo dos Santos: José Filomeno dos Santos, responsável pela gestão do fundo soberano do país, avaliado em cinco mil milhões de dólares.

O responsável em Portugal da Transparência Internacional, João Paulo Batalha, considera que, com a crise, Portugal “teve a oportunidade de limpar a corrupção no país, mas optou por exportá-la [através da implantação de empresas portuguesas em Angola, em particular na construção civil], e de eliminar as barreiras da integridade [escolhendo] fazer negócios com qualquer um”.


“Nós temos necessidade do dinheiro de Angola, mas Angola precisa de nós”, considera Celso Filipe, citado no artigo. “Há sem dúvida um pouco de hipocrisia, mas não é só em Portugal. A família dos Santos tem investido noutros lugares na Europa”, termina.

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